Estrela da Tarde – Ary dos Santos

José Carlos Pereira Ary dos Santos, nasceu a 07 dezembro 1937 (Lisboa), morreu em 18 janeiro 1984 (Lisboa). Ficou na História da música portuguesa por ter escrito os poemas de 4 canções vencedoras do Festival da Canção, em Portugal.

Na edição de 2021, do Festival da Canção, fez-se uma homenagem a Carlos do Carmo, o fadista português (falecido recentemente) que cantou algumas dessas canções, nomeadamente a “Estrela da Tarde”.

Mais uma vez, a música (das extraordinárias guitarras portuguesas) enaltece as palavras do poeta e a voz de Ricardo Ribeiro, um dos melhores cantores da atualidade, proporciona-nos mais um momento sublime. Ouçam como os nossos povos se aproximam na voz de Ricardo Ribeiro…

Estrela da Tarde

Era a tarde mais longa de todas as tardes que me acontecia

Eu esperava por ti, tu não vinhas, tardavas e eu entardecia

Era tarde, tão tarde, que a boca tardando-lhe o beijo mordia

Quando à boca da noite surgiste na tarde qual rosa tardia

Quando nós nos olhámos, tardámos no beijo que a boca pedia

E na tarde ficámos, unidos, ardendo na luz que morria

Em nós dois nessa tarde em que tanto tardaste o sol amanhecia

Era tarde de mais para haver outra noite, para haver outro dia.

       Meu amor, meu amor

       Minha estrela da tarde

       Que o luar te amanheça

       E o meu corpo te guarde.

       Meu amor, meu amor

       Eu não tenho a certeza

       Se tu és a alegria

       Ou se és a tristeza.

       Meu amor, meu amor

       Eu não tenho a certeza!

Foi a noite mais bela de todas as noites que me adormeceram

Dos noturnos silêncios que à noite de aromas e beijos se encheram

Foi a noite em que os nossos dois corpos cansados não adormeceram

E da estrada mais linda da noite uma festa de fogo fizeram.

Foram noites e noites que numa só noite nos aconteceram

Era o dia da noite de todas as noites que nos precederam

Era a noite mais clara daqueles que à noite amando se deram

E entre os braços da noite, de tanto se amarem, vivendo morreram.

       Meu amor, meu amor

       Minha estrela da tarde

       Que o luar te amanheça

       E o meu corpo te guarde.

       Meu amor, meu amor

       Eu não tenho a certeza

       Se tu és a alegria

       Ou se és a tristeza.

       Meu amor, meu amor

       Eu não tenho a certeza!

Eu não sei, meu amor, se o que digo é ternura, se é riso se é pranto

É por ti que adormeço e acordado recordo no canto

Essa tarde em que tarde surgiste dum triste e profundo recanto

Essa noite em que cedo nasceste despida de mágoa e de espanto

Meu amor, nunca é tarde nem cedo para quem se quer tanto!

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