DIES IRAE

Miguel Torga é o pseudónimo de Adolfo Correia da Rocha (12-08-1907 / 17-01-1995). É considerado um dos escritores mais influentes do século XX, tendo recebido diversos prémios e , entre outros, o Prémio Camões (1989);
O seu pseudónimo é uma homenagem aos escritores Miguel de Cervantes e Miguel de Unamuno, daí o nome Miguel, e às suas origens serranas, pois Torga é o nome de uma planta brava transmontana da família da urze. 

Apetece cantar, mas ninguém canta.
Apetece chorar, mas ninguém chora.
Um fantasma levanta
A mão do medo sobre a nossa hora.

Apetece gritar, mas ninguém grita.
Apetece fugir, mas ninguém foge.
Um fantasma limita
Todo o futuro a este dia de hoje.

Apetece morrer, mas ninguém morre.
Apetece matar, mas ninguém mata.
Um fantasma percorre
Os motins onde a alma se arrebata.

Oh! maldição do tempo em que vivemos,
Sepultura de grades cinzeladas,
Que deixam ver a vida que não temos
E as angústias paradas!

O poema “Dies Irae” trata a frustração do povo português perante o regime ditatorial. Há sempre um “fantasma” a oprimir

Canção inserida no seu disco “La poesie Portugaise de nos jours et de toujours ” vol 2 de 1969, com poema de Miguel Torga.

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