Valsa das viúvas da Pastelaria Bénard

António Lobo Antunes ( 1942 ) Os seus romances têm obtido êxito em muitos países, fazendo com que o seu nome surja referenciado na lista dos candidatos ao Prémio Nobel. A sua poesia numa linha de crónica e ironia da Lisboa mais típica aparece em letras cantaas por Vitorino e Carlos do Carmo.

Cada qual de cão ao colo
Damos de comer ao cão
Chá e migalhas de bolo
Pão de ló de Alfeizerão.

Arejamos com o leque
Calores dos 60 anos
Pérolas de pechisbeque
Brincos de prata ciganos.

Lá em casa convivemos
Com os estalos da mobília
Tristes silêncios serenos
Doçuras de chá de tília.

Réstias de sol nas janelas
De cortinas desbotadas
Candelabros de 3 velas
Retratos das afilhadas.

A crueldade do espelho
Vem mostra-nos de manhã
Ruína de um corpo velho
Num casaquinho de lã.

E à cabeceira da cama
O riso do falecido
Garante qu´inda nos ama
Por trás da placa de vidro.

Ai felicidade perdida
Porque a mágoa não tem fundo
O cão ladra contra a vida
Nós ladramos contra o mundo.

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