Careca

Continuando com poemas do Riso e do Maldizer, um poema de João de Deus.

João de Deus (1830 – 1896)

Nasceu no Algarve e estudou direito em Coimbra, onde levou dez anos a acabar o curso de direito, quer por dificuldades familiares quer pela boémia a que se entregava. Para além de poesia, publica, em 1876, a Cartilha Maternal que lhe deu uma grande popularidade.

Sobrenome verdadeiro,
O de António Calado,
Porque ninguém mais matreiro,
Mais sonso, mais disfarçado!
Namorou um ano inteiro
A prima do Alcobia,
Sempre tão bem penteado,
Que me afirmou ela um dia:
- Não tem na cabeça um pêlo,
E nem pela fantasia
Me passou que tal cabelo
Fosse cabelo postiço!
Afinal passa o derriço,
Chega a noite do noivado,
E naquele reboliço
Despegou-se-lhe o tapiço
E adormeceu de cansado.
Ela, que acordou primeiro,
Apalpa-o pelo toutiço,
Acha pelado… roliço…
E diz-lhe assim de mansinho
Abanando o companheiro:
- Oh Antoninho, Antoninho!
Pois que maneiras são essas?
Olha que estás às avessas…
Tens o cu no travesseiro!

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