Herberto Helder

Nasceu a 23 Novembro 1930 (Funchal, Portugal). Escritor português, estudou na Faculdade de Letras de Lisboa, trabalhando depois como bibliotecário, jornalista e autor de programas radiofónicos. Colaborou em diversas revistas. Ligado ao movimento da poesia concretista (ou experimental), é conhecida a sua aversão a aparições públicas ou manifestações de reconhecimento da sua notoriedade. Recusou, em 1994, o Prémio Pessoa. Considerado um dos grandes escritores portugueses contemporâneos, a sua poesia tem uma densa imagética, frequentemente associada a temas ligados ao questionamento do eu, à presença de medos, ao conhecimento do humano, temas ligados por vezes a um certo misticismo, servidos por uma linguagem original e de grande riqueza metafórica. Estreou-se com O Amor em Visita (1958), publicando, em 1963, um dos seus livros mais célebres, Os Passos em Volta (contos). A sua obra poética inclui ainda A Colher na Boca (1961), Poemacto (1961), Retrato em Movimento (1967), Ofício Cantante (1967), O Bebedor Nocturno (1968), Vocação Animal (1971), Poesia Toda (1973 reeditado em 1981 e 1991), Cobra (1977), O Corpo, o Luxo, a Obra (1978), Photomaton & Vox (1979), A Cabeça entre as Mãos (1982, Prémio de Poesia de 1983 do Pen Clube Português), Edoi Lelia Doura. Antologia das Vozes Comunicantes da Poesia Portuguesa (1985), Flash (1986), As Magias (1987), Do Mundo (1994), Ouolof (Poemas Mudados Para Português) e Poemas Ameríndios (Poemas Mudados Para Português), ambos em edições datadas de 1997. Em 2001, publica Ou o Poema Contínuo. Faleceu a 23 de março de 2015, vítima de ataque cardíaco, aos 84 anos, na sua casa em Cascais. Menos de dois meses após a sua morte, em Maio de 2015, foi publicado o último livro de originais do poeta, “Poemas canhotos”, que tinha terminado pouco antes de morrer.

Sobre o Poema

Um poema cresce inseguramente
na confusão da carne,
sobe ainda sem palavras, só ferocidade e gosto,
talvez como sangue
ou sombra de sangue pelos canais do ser.

Fora existe o mundo. Fora, a esplêndida violência
ou os bagos de uva de onde nascem
as raízes minúsculas do sol.
Fora, os corpos genuínos e inalteráveis
do nosso amor,
os rios, a grande paz exterior das coisas,
as folhas dormindo o silêncio,
as sementes à beira do vento,
— a hora teatral da posse.
E o poema cresce tomando tudo em seu regaço.

E já nenhum poder destrói o poema.
Insustentável, único,
invade as órbitas, a face amorfa das paredes,
a miséria dos minutos,
a força sustida das coisas,
a redonda e livre harmonia do mundo.

— Em baixo o instrumento perplexo ignora
a espinha do mistério.

— E o poema faz-se contra o tempo e a carne.

O Actor

Deixar unha resposta

introduce os teu datos ou preme nunha das iconas:

Logotipo de WordPress.com

Estás a comentar desde a túa conta de WordPress.com. Sair /  Cambiar )

Google photo

Estás a comentar desde a túa conta de Google. Sair /  Cambiar )

Twitter picture

Estás a comentar desde a túa conta de Twitter. Sair /  Cambiar )

Facebook photo

Estás a comentar desde a túa conta de Facebook. Sair /  Cambiar )

Conectando a %s