Árvore Mulher

Vou falar de ti sem falar de ti.

Vou falar redondo,
falar das árvores, da árvore.
Das árvores e das cópulas:
laços, ramos, abraços.
unidos, construídos, reconstruídos.

Falo das árvores:
aperaltadas, vestidas ou nuas
(Inverno, Verão, Outono e Primavera)
das flores e dos frutos, das raízes,
das folhas, da seiva, da pele.

As árvores:
altas ou baixas, frondosas,
(mais escuras ou mais claras)
amantes verdes de esperança.
Todas são árvores, casa de sonhos,
lugar de afectos (ninho de muitos)
alimento…
São amantes, mães ou filhas,
castas, virgens, aconchego
impuras, usadas, descartadas.
Mas todas continuam árvores.
De pé, deitadas, derrubadas, levantadas.

Olho de frente as árvores.
mas qual é a sua frente?
O lado que esta voltado para mim
me sorri e convida a descansar?
Ou a outra face, recatada, escondida?

Continuo a falar de árvores:
da sua sombra e da sua protecção
dos ramos que se abraçam,
da pele que acaricia e beija,
do sorriso que vem com a madrugada,
do seu bom dia.
Das lágrimas, da noite, da seiva roubada,
dos golpes traiçoeiros
de quem só vê o madeiro ou a copa.

Falo da árvore e da floresta:
de oxigénio, de esperança de futuro.

Quero abraçar uma, abraçar a árvore,
copular com ela, entrar nela, ficar.

Falo de árvores, duma árvore.
Sem falar falei de ti,
eu, poeta, redondo, apaixonado.

António Alves
30/05/3019

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