RÚSTICA

Florbela Espanca

Ser a moça mais linda do povoado.

Pisar, sempre contente, o mesmo trilho,

Ver descer sobre o ninho aconchegado

A bênção do Senhor em cada filho.

Um vestido de chita bem lavado,

Cheirando a alfazema e a tomilho…

– Com o luar matar a sede ao gado,

Dar às pombas o sol num grão de milho…

Ser pura como a água da cisterna,

Ter confiança numa vida eterna

Quando descer à “terra da verdade”…

Deus, dai-me esta calma, esta pobreza!

Dou por elas meu trono de Princesa,

E todos os meus Reinos de Ansiedade.

Introduzido por Maria Leonor Brites

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