“Namoro” -Viriato da Cruz

Viriato Francisco Clemente da Cruz é considerado um dhqdefaultos mais importantes impulsionadores de uma poesia regionalista angolana nas décadas de 40 e 50, caracterizando-se a sua obra pelo apego aos valores africanos.A sua produção está dispersa por publicações periódicas e representada na antoloxía “No Reino de Caliban.”Foi um dosprincipais mentores do Movimento dos Novos Intelectuais de Angola (1948) e da revista Mensagem (1951-1952).

Esta poesía narra os sinsabores que pasa un namorado ata que a moza accede o seu amor.

NAMORO

Mandei-lhe uma carta em papel perfumado
e com a letra bonita eu disse ela tinha
um sorrir luminoso tão quente e gaiato
como o sol de Novembro brincando de artista nas acácias floridas
espalhando diamantes na fímbria do mare dando calor ao sumo das mangas.
sua pele macia – era sumaúma…
Sua pele macia, da cor do jambo, cheirando a rosas
tão rijo e tão doce – como o maboque…
Seu seios laranjas – laranjas do Loge
seus dentes… – marfim…
Mandei-lhe uma carta
e ela disse que não.

Mandei-lhe um cartão
que o Maninjo tipografou:
“Por ti sofre o meu coração”
Num canto – SIM, noutro canto – NÃO
E ela o canto do NÃO dobrou.

Mandei-lhe um recado pela Zefa do Sete
pedindo rogando de joelhos no chão
pela Senhora do Cabo, pela Santa Ifigénia,
me desse a ventura do seu namoro…
E ela disse que não.

Levei à avó Chica, quimbanda de fama
a areia da marca que o seu pé deixou
para que fizesse um feitiço forte e seguro
que nela nascesse um amor como o meu…
E o feitiço falhou.

Esperei-a de tarde, à porta da fábrica,
ofertei-lhe um colar e um anel e um broche,
paguei-lhe doces na calçada da Missão,
ficamos num banco do largo da Estátua,
afaguei-lhe as mãos…
falei-lhe de amor… e ela disse que não.
e num passo maluco voamos na sala
qual uma estrela riscando o céu!

Andei barbado, sujo, e descalço,
como um mona-ngamba.
Procuraram por mim
” – Não viu…(ai, não viu…?) Não viu Benjamim?”
E perdido me deram no morro da Samba.
E para me distrair
levaram-me ao baile do sô Januário
mas ela lá estava num canto a rir
contando o meu caso às moças mais lindas do Bairro Operário

Tocaram uma rumba dancei com ela
E a malta gritou: “Aí Benjamim!”
Olhei-a nos olhos – sorriu para mim
pedi-lhe um beijo – e ela disse que sim.

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